
PASSADOPRESENTE
O passado não passou.
É a partir dessa ideia que a FLIMA 2026 se constrói. PASSADOPRESENTE é um convite para olhar para o tempo não como uma linha que separa o que foi do que é, mas como um território em movimento, no qual memória, história, ancestralidade e imaginação se encontram, entram em disputa e ajudam a construir os futuros que desejamos.
Para a curadora Cristiane Tavares, o tema traduz o nosso tempo e nos coloca diante de perguntas urgentes: “o que se repete, à revelia dos anseios por justiça social? O que podemos sonhar e criar, artística e culturalmente, para gerar equidade e liberdade?” É desse desejo de confronto e diálogo que, segundo ela, “FLIMA e FLIMINHA apostam na insurgência dos diálogos.”
Maria Carolina Casati amplia essa perspectiva a partir da ancestralidade e de uma outra experiência do tempo: “Poder experienciar, compreender e compartilhar a cosmopercepção ancestral do tempo espiralar é um verdadeiro privilégio. Fazer isso no coletivo, fabular existências outras é puro gozo.” O passado, aqui, não é algo encerrado: é presença, continuidade, conhecimento e possibilidade de criação.
Para Roberto Guimarães, idealizador da FLIMA, PASSADOPRESENTE é “um manifesto-quase-poema” que dialoga com as chamadas “ideias fora do lugar”, de Roberto Schwarz, e com a violência fundante que atravessa a formação do Brasil - do massacre dos povos originários à escravização de milhões de pessoas negras - e que segue produzindo desigualdades. “A pergunta que fica é: até quando?”, provoca.
Talvez seja justamente por isso que a literatura e a arte sejam tão importantes neste encontro: porque podem revisitar aquilo que aprendemos a chamar de história, iluminar o que foi apagado, deslocar perspectivas e criar outras formas de imaginar o mundo.
PASSADOPRESENTE é, então, uma pergunta sobre o que herdamos, sobre aquilo que ainda se repete e sobre o que podemos transformar.
Um convite para lembrar, confrontar, fabular e criar.
Porque se o passado continua presente, o futuro também começa agora.
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