PROGRAMAÇÃO AUDITÓRIO

QUINTA-FEIRA – 03/09  

ABERTURA
Quinta (3) – 19h30
ENCONTROS DE REALEZAS – YABÁS
Espetáculo poético em celebração aos dez anos de atuação da coletiva Sarau das Pretas
Apoio: Sesc São Paulo

Edição especial que reverencia as Yabás, entidades femininas da cultura africana e afrobrasileira. A palavra "Yabá" significa "mãe rainha" em iorubá. São mulheres belas, guerreiras, sábias e indomáveis. Grandiosas como os elementos da natureza que habitam. Em cena, as artistas apresentam um diálogo poético, sensível e potente com os arquétipos das Yabás Nanã, Oxum, Iemanjá e Iansã, abordando reflexões sobre os ciclos da vida, destacando situações vivenciadas por mulheres pretas na atualidade. O legado das Yabás é fundamental para a representação e representatividade das mulheres pretas, que se inspiram na força dessas divindades para enfrentar desafios e lutar por direitos.

Ingresso Sympla

SEXTA-FEIRA – 04/09  

SEXTA (4) – 15h
MESA 1
LITERATURA JUVENIL: QUE PAPO É ESSE?
Índigo Ayer
João Anzanello Carrascoza
Mediação: Penélope Martins

Afinal, a quem se destina a chamada literatura juvenil? E como se dá o processo criativo de quem escreve especificamente para esse público leitor? Aliás, escreve-se literatura a partir de um leitor ideal? Para conversar sobre estes temas e outros mitos vinculados à literatura para jovens leitores, convidamos três autores com vasto conjunto de obras publicadas, estilos e percursos autorais distintos, que incluem premiada produção literária na literatura “para adultos".

Lançamento de SETE BRUXAS E UM GATO GRUDADO (Índigo Ayer, Record) e TRAVESSIA (João Anzanello Carrascoza, ôZé)

Ingresso Sympla

SEXTA (4) – 17h
MESA 2
TRAÇOS URBANOS: A CIDADE COMO PERSONAGEM DE HQ
Fido Nesti
Sirlene Barbosa
Mediação: Roberto Guimarães

Como as marcas da história aparecem nas histórias em quadrinhos? E o que tem de específico nessa linguagem que combina arte e texto que a torna especialmente potente para registrar a história social? Em “O Elemento", HQ autoral do premiado quadrinista Fido Nesti, a estética noir e lisérgica que torna palpável a opressão e a paranoia da ditadura militar no final dos anos 1970 – ambientada no bairro paulistano da Liberdade, a trama policial tem como ponto de partida a descoberta de ossadas de indígenas e negros escravizados no antigo Cemitério dos Aflitos. Em “Carolina", biografia da escritora Carolina Maria de Jesus, que tem roteiro de Sirlene Barbosa e arte de João Pinheiro, a linguagem visual é expressionista, mais crua, em preto e branco, estética que contribui para traduzir o peso físico da favela nos anos 1950/1960 e a força poética do texto da autora de “Quarto de Despejo” – aqui, o bairro do Canindé é personagem. Vistas em conjunto, as duas graphic novels ajudam a contar a história da cidade de São Paulo e do Brasil.

Lançamento de O ELEMENTO (Fido Nesti, Quadrinhos na CIA)

Ingresso Sympla

SEXTA (4) – 19h
MESA 3
ESCREVIVER A MATERNAGEM, MATERNAR A ESCREVIVÊNCIA
Fabiana Carneiro
Ronaldo Vitor da Silva
Mediação: Maria Carolina Casati

“Um defeito de cor” é uma grande carta de Kehinde a seu filho Luiz Gama. Nesta mesa, Fabiana Carneiro da Silva, autora de “Ominíbú: maternidade negra em ‘Um defeito de cor’” (EDUFBA, 2019), e Ronaldo Vitor da Silva, coordenador do educativo da exposição "Um defeito de cor" (SESC Pinheiros), vão discutir os conceitos de maternagem e maternidade presentes na obra de Ana Maria Gonçalves – e para além dela. 

Ingresso Sympla

SÁBADO – 05/09

SÁBADO (5) - 10h
MESA 4
QUADROS  DA NOSSA HISTÓRIA: UMA HOMENAGEM A MARCELO D´SALETE
Marcelo D´Salete conversa com Cristiane Tavares

O autor, ilustrador e professor Marcelo D´Salete é um dos mais importantes nomes da produção de histórias em quadrinhos e novelas gráficas no Brasil e no mundo, atualmente. Vencedor do prêmio Eisner (“o Oscar dos quadrinhos”), em 2018, com “Cumbe”, é o autor homenageado da Fliminha 2026. Nesta conversa, ele apresentará as bases éticas e estéticas de seu trabalho autoral, com destaque para Mukanda Tiodora, livro vencedor do Prêmio Jabuti (2023), indicado a Melhor Publicação de Quadrinho Internacional pelo Harvey Awards (2026).

Ingresso Sympla

SÁBADO (5) - 11h30
MESA 5
FABULAR ANCESTRALIDADES: O QUE A MEMÓRIA CONSTRÓI?
Bethânia Pires Amaro
Micheliny Verunschk
Mediação: Maria Carolina Casati

Como retomar ancestralidades que foram negadas? Quem tem direito a contar a sua história? Qual o papel da memória na construção de si? A partir das suas obras, que se estruturam em diálogo com a História do Brasil, Micheliny Verunschk e Bethânia Pires Amaro conversam sobre essas e outras questões tão urgentes do nosso tempo. 

Ingresso Sympla

SÁBADO (5) - 14h
MESA 6
EDITAR LITERATURA PARA AS INFÂNCIAS: PRAZERES E DESAFIOS
Debora Alves
Isabel Lopes Coelho
Zeco Montes
Mediação: Sandra Medrano

Não é exagero afirmar que a literatura para as infâncias produzida no Brasil é uma das mais premiadas do mundo. Em torno dela, no entanto, ainda pairam preconceitos e desinformação, fazendo com que tenha menos destaque (e prestígio) entre a crítica e na maioria dos eventos literários. Convidamos editores de três diferentes gerações, com trajetórias distintas, para debater os prazeres e desafios de editar literatura para as infâncias no Brasil.

Ingresso Sympla

SÁBADO (5) - 16h
MESA 7
PARA ALÉM DAS COTAS: SUBJETIVIDADES EM (TRANS)FORMAÇÃO
Jeferson Tenório
Natália Zuccala
Mediação: Gabriela Mayer

Em “De onde eles vêm”, seu mais recente romance, Jeferson Tenório traz a política de cotas para o centro do debate – no livro, acompanhamos os desafios de um jovem negro que ingressa e permanece na universidade nos anos iniciais da implementação da lei, enfrentando o racismo institucional e o elitismo acadêmico. Em “Ainda não”, de Natália Zuccala, o protagonista é um jovem bolsista no ensino médio de um colégio de elite que enfrenta as tensões de classe, raça e pertencimento ao ocupar um espaço escolar privilegiado. Em comum, os dois romances de formação lançam luz no que há de mais sensível nesse percurso: as complexas relações entre identidade e território  na construção da subjetividade de uma nova geração de brasileiros.

Lançamento de AINDA NÃO (Natália Zuccala, Todavia)

Ingresso Sympla

SÁBADO (5) - 18h
MESA 8
BORBOLETAS QUE INSURGEM: ESCRITA DE MULHERES NEGRAS
Cidinha da Silva
Rosane Borges
Mediação: Maria Carolina Casati

O que há de singular na escrita de mulheres pretas que a torna tão potente? Convidamos a jornalista e pesquisadora Rosane Borges e a escritora Cidinha da Silva, ativistas do movimento negro e intelectuais públicas, para refletir sobre como legado, escrevivência e insurgência se articulam na vigorosa produção literária e acadêmica de mulheres negras brasileiras. 

Ingresso Sympla

DOMINGO – 06/09

DOMINGO (6) – 10h
MESA 9
LITERATURA E DEMOCRACIA: LEITURA PARA TODOS?
Bel Santos Mayer
José Castilho
Mediação: Fabíola Farias

A democratização do acesso aos livros é suficiente para garantir a formação de leitores? Quais aspectos socioeconômicos interferem na constituição de uma sociedade leitora? E qual o papel das políticas públicas? Para debater questões cruciais como estas, convidamos três importantes referências na área, com atuação em diferentes campos que envolvem o livro e a leitura no Brasil.

Ingresso Sympla

DOMINGO – 06/09

DOMINGO (6) – 11h30
MESA 10
POESIA E (RE)INVENÇÃO DE FUTUROS
Chiara Gentile
Tarso de Melo
Mediação: Cristiane Tavares
Apoio: editacuja

O que pode a linguagem poética nos dias de hoje? Segundo o filósofo italiano Franco Berardi, vivemos uma crise da capacidade de imaginar o futuro e a poesia pode ser um dos caminhos para a revitalização da linguagem. Em “Música do Mundo”, Tarso de Melo apresenta uma espécie de genealogia da poesia como linguagem, investiga as relações intrínsecas entre som e sentido e afirma: “poesia é coisa de futuro”. Já no romance “Tempo Primo”, Chiara Gentile narra a história de uma professora de literatura que, em decorrência de um acidente, precisa reaprender a ler e a escrever e tem na música a porta de entrada para a redescoberta da linguagem. Nesta conversa, os dois autores nos convidam a aprofundar percepções sobre a linguagem, memória e imaginação.

Lançamento de TEMPO PRIMO (Chiara Gentile, editacuja) e Música no Mundo (Tarso de Melo, Fósforo)

Ingresso Sympla

DOMINGO (6) – 14h
MESA 11
AFETOS HISTÓRICOS: O TEMPO DAS RELAÇÕES
Jeovanna Vieira
Maria José Silveira
Mediação: Mariana Bastos
Apoio: Ação Editora

Só quando há uma rusga ou ruptura com alguém muito próximo é que nos atentamos para o fato de que mesmo as relações mais íntimas e profundas se transformam ao longo do tempo. Em “Toda caixa-preta é laranja", de Jeovanna Vieira, o foco está na relação filha-pai – a protagonista é uma piloto prestes a se mudar com a família para o exterior para se tornar a primeira mulher negra a comandar o maior avião de passageiros do mundo; seu pai desaparece repentinamente e ela decide adiar seu sonho, o que a leva a revisitar a sua história. Já em “Imperdoável", de Maria José Silveira, acompanhamos a trajetória de três inseparáveis amigos de escola, que, depois de compartilhar ideais, sonhos e descobertas nos anos 1980, tomam rumos distintos na vida. O ápice do conflito se dá em 8 de janeiro de 2023, momento mais agudo da história recente do Brasil, que escancara o esgarçamento social e afetivo provocado pelo extremismo da disputa política.

Lançamento de TODA CAIXA-PRETA É LARANJA (Jeovanna Vieira, Companhia das Letras) e IMPERDOÁVEL (Maria José Silveira, Ação Editora)

Ingresso Sympla

DOMINGO (6) – 16h
MESA 12
VIDAS (RE)INVENTADAS: BIOGRAFIA COMO ANTÍDOTO AO APAGAMENTO HISTÓRICO
Bruno Rodrigues de Lima
Cibele Tenório
Mediação: Roberto Guimarães
Apoio: Hedra

Como escrever a história de pessoas invisibilizadas ou deliberadamente esquecidas pela historiografia oficial? Esse será o ponto de partida da conversa entre os autores de duas biografias recentes de lideranças negras. Em “Pai contra mãe: as origens perdidas de Luiz Gama”, o jurista e historiador Bruno Rodrigues de Lima faz minuciosa pesquisa em fontes inéditas para contar a infância e os mistérios familiares do maior jurista e abolicionista do Brasil. Em “Almerinda Gama: A sufragista negra” Cibele Tenório usa o faro de jornalista e a veia de pesquisadora para recuperar a a vida e o legado de uma das mais importantes e esquecidas lideranças do movimento feminista e antirracista brasileiro. 

Ingresso Sympla

DOMINGO (6) – 18h
MESA 13
ELZA SOARES: A VOZ DO FEMINISMO NEGRO
Lígia Moreli
Rômulo Fróes
Mediação: Adriana Ferreira Silva
Apoio: Edições Sesc São Paulo

Celebrando a artista “dura na queda”, “Elza Soares: insurreição na garganta”, de Lígia Moreli, aborda a vida e a carreira da icônica cantora. A autora acompanha a transformação de Elza em direção a um posicionamento estético e político consolidado no álbum “A mulher do fim do mundo”, lançado em 2015, quando a cantora tinha 85 anos! Diretor artístico do seminal disco de Elza, e de seu trabalho seguinte, “Deus é mulher” (2018), o músico Rômulo Fróes compartilha um pouco da sua vivência e colaboração com uma das maiores artistas brasileiras. Elza foi um furacão criativo que viveu mais de 90 anos em permanente reinvenção, que usou sua inimitável para denunciar o racismo, o machismo, a violência contra a mulher e a desigualdade social.

Lançamento de Elza Soares: Insurreição na Garganta (Lígia Morei, Edições SESC-SP)

Ingresso Sympla

SEGUNDA-FEIRA – 07/09

SEGUNDA (7) – 10h
MESA 14
ISSO NÃO É ASSUNTO DE CRIANÇA?!
Fabíola Farias
nina rizzi
Mediação: Bruno Souza
Apoio: Veneta

O incômodo em torno dos temas abordados nos livros para crianças é crescente e revela muitas facetas. Das disputas ideológicas à censura, passando por conservadorismos de toda ordem, os tabus, frequentemente, revelam concepções equivocadas de infância. Como dialogar, afinal, com infâncias tão diversas e plurais? Cabe tudo na literatura destinada às crianças? Para responder a estas provocações e lançar outras, convidamos a poeta nina rizzi e a professora Fabíola Farias, ambas com ampla experiência em criação e crítica literária e formação de leitores.

Lançamento de “O mundo que se quer esconder das crianças: o incômodo na literatura infantil” (Fabíola Farias e Nilma Lacerda, Veneta)

Ingresso Sympla

SEGUNDA (7) – 11h30
MESA 15
SABEDORIA ANCESTRAL PARA UM MUNDO HIPERCONECTADO
Geni Núñez conversa com Jéssica Balbino

Como os conhecimentos ancestrais indígenas e a descolonização dos afetos podem abrir caminhos de cura e emancipação em um contexto de relações humanas cada vez mais mediadas por telas? Se estruturas sociais, ambientais e afetivas demonstram sinais de esgotamento, a psicologia e os saberes dos povos originários oferecem novas perspectivas para repensar a vida em comunidade. Tendo as diversas formas de amar como bússola, Geni Núñez, psicóloga, ativista Guarani, escritora e pesquisadora pós-doutoranda pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, aponta para outras gramáticas do amor, da terra e do bem-viver para além da lógica da propriedade e da dominação.

Ingresso Sympla

SEGUNDA (7) – 15h
Espetáculo de encerramento
NOITE DE BRINQUEDO NO TERREIRO DE YAYÁ
Com Coletivo Clã do Jabuti

O espetáculo conta a história da rainha do Congo, a menina Maria, que habita uma terra povoada por encantados, mestres, reis, rainhas, cabinhas e palhaços. Ela, que reinou em seu reisado por anos, agora precisará entregar a coroa à sua irmã mais nova e, assim, percebe que talvez chegue ao fim também seu tempo de ser criança. Letras e melodias ajudam a narrar as alegrias, dores e desafios da rainha que deixa de ser rainha. Da criança que deixa de ser criança. Em sua jornada, nossa heroína descobre como guerrear e festejar com a ajuda de seres encantados e desvenda a sabedoria ancestral das encruzilhadas, lugar de encontro e aprendizagem. As Yayás, as Avós, senhoras do Colo e do Caminho, são guias a abrir atalhos na jornada de crescimento da menina guerreira.

Esses rituais de passagem são cantados e declamados numa atmosfera de grande festa. Festa embalada pelo ritmo pulsante e contagiante do reisado. Todo elenco desempenha o nobre papel de brincador da festa e, dessa forma, se reveza entre os instrumentos de percussão en de corda, dança e canto em suas interpretações. No repertório, cantigas autorais e outras que fazem parte do Cancioneiro Popular. Toadas cantadas e ensinadas pelas avós e bisavós. 

Ingresso Sympla

FLIMA - Festa Literária da Mantiqueira © desde 2018